terça-feira, 20 de setembro de 2016

João Belo, o ministro colonial da Ditadura, venerável em Chai-Chai.



João Belo (1876-1928). Oficial de Marinha, com 29 anos de serviço em Moçambique, onde, em 1906, foi iniciado maçom na loja Cruzeiro do Sul, com o nome simbólico de Lobo de Ávila, chegando a venerável da Loja Dragão de Chai-Chai. Parente do poeta Afonso Lopes Vieira. Tanto participou nas campanhas de Mouzinho de Albuquerque contra os vátuas, como, depois, colaborou com alto-comissário Brito Camacho.  Ministro das colónias desde 9 de julho de 1926. Morrerá em 2 de janeiro de 1928. Não tem aderência à realidade reformista, a observação de Almeida Santos, segundo o qual o ministro resolveu regressar às origens, num misto de neo-sujeição e neo-assimilação, cortando cerce as asas dos impulsos autonomistas da monarquia constitucional e da república (Quase Memórias, I, p. 59). Os primeiros tempos da Ditadura, no plano colonial, continuam a rimar com a monarquia liberal e a Primeira República, com João Belo a ser aconselhado por Ernesto Vasconcelos, o chefe de gabinete dos progressista e com idênticas funções depois de 1910. Belo repete o gesto que a república jacobina teve face à monarquia liberal. É mero fruto do tempo e a maior parte das elites colonialistas está de acordo com processo, pelo que se compreende como os posteriores Anais da Revolução Nacional saneiam esta coincidência, da mesma maneira como o anticolonialismo de a posteriori reduz Belo à criação do Estatuto do Indigenato que, se é formalmente verdade, também constitui mera continuidade dos dois anteriores regimes.