terça-feira, 20 de setembro de 2016

O patriotismo imperial dos republicanos procura legitimar-se no internacionalismo



O pacto da Sociedade das Nações reflete o conceito colonialista, então assumido pela ordem internacional: são habitados por povos ainda incapazes de se dirigirem por si próprios nas condições particularmente difíceis do mundo moderno. O bem-estar e o desenvolvimento desses povos formam uma missão sagrada de civilização, e convém incorporar no presente Pacto garantias para o cumprimento dessa missão. O melhor método de realizar praticamente esse princípio é confiar a tutela desses povos às nações desenvolvidas que, em razão de seus recursos, de sua experiência ou de sua posição geográfica, estão em situação de bem assumir essa responsabilidade e que consistam em aceitá-la: elas exerceriam a tutela na qualidade de mandatários e em nome da Sociedade. O espaço de soberania portuguesa que, na véspera da Grande Guerra, ainda é alvo da partilha secreta entre a Alemanha e a Grã-Bretanha, tenta, sobretudo, defender-se no plano da comunidade internacional, nomeadamente pela Sociedade das Nações, para onde a república remete o seu principal vulto, Afonso Costa. Mesmo quando ainda se mantém o essencial do patriotismo imperial irredentista, já se reconhece que a melhor forma de o fomentar está na possibilidade de criação de uma espécie de reino unido, mesmo que, depois, venham a emergir novos brasis, a quem, sempre, podemos agradecer o facto de se tornarem independentes. Com efeito, o colonialismo republicano está condenado a ser internacionalista, em nome do patriotismo como parcela do cosmopolitismo, como é timbre da própria doutrinação maçónica.